
Normalmente quando estou cansada os pensamentos fluem melhor. Estranho isso, vocês podem pensar, porém é a mais pura verdade. Há alguns dias tento colocar alguns textos no papel e não consigo por “n” motivos. Porém cheguei agora da reunião do Escalada (o início da Trilogia dos Sacramentos – assunto para outro post) e os sentimentos e pensamentos estão praticamente pulando.
Domingo fez um sol lindo em Salvador. Eu não fui à praia. Fui a um retiro de Oração com Padre Mané, alpinista e orientador espiritual do Escalada. Nunca tinha ido a um retiro de oração e antes de sair pensei muito. Acordar cedo em pleno domingo? Por que não vou à praia? Tem a corrida na TV e se Rubinho ganhar? Pois bem, lembrei do compromisso que fiz com ELE e comigo mesma e fui.
Naquele dia de domingo tive alguns dos momentos mais felizes do ano. E não foi fácil. Não é fácil me concentrar. Me deixar levar pelo silêncio. Os pensamentos correm como carros de F1 e não param. Foi difícil, mas aos poucos fui conseguindo entrar naquele clima. Deixar os problemas do lado de fora me deixar esvaziar. Esvaziar de medo, orgulho, tensão, problemas, dores.
E, sabe quando aquelas palavras são para você? Cada evangelho que refletimos, cada palavra de Mané e dos presentes me fez pensar muito de como estou me sentido esses dias. Tenho estado mais só e está me fazendo bem. Menos barulho. Mais detalhes. Menos ansiedade. Mais contemplação. Até as músicas que tenho ouvido estão diferentes.
Tenho me tirado de foco e colocado ELE em minha frente. “Eu sei que é, difícil é… mesmo assim vou seguindo essa estrada…” Isso não quer dizer que eu não tenha dores e que nem as enfrente. Mas as dores são menores por todas as maravilhas que vejo e vivo a cada dia. Isso não quer dizer que não tenho problemas. Mas é que os problemas não vão dirigir a minha vida. ELE sim. Minhas dores, meus problemas me transformaram em quem eu sou e sou feliz sim. Sou amada sim. E não vou ter vergonha em dizer isso.
Não sou, nem nunca fui, uma pessoa superficial. Posso, durante muito tempo, não ter sido persistente, gosto de fazer o que eu gosto e o que não me agradava levava com a barriga. Até hoje faço um pouco isso, porém chego até o final (demoraaaaa, mas chego). Fujo de conflitos que não vão me engrandecer em nada. Preciso ter cuidado com a minha euforia. Com a minha ansiedade.
Gosto muito de ouvir e falo menos de mim. Sou assim, sempre fui. Se alguém vem falar comigo procuro ouvir… Prefiro escrever sobre mim, como estou fazendo agora. Ou como tenho em tantos e tantos textos que não foram publicados. Quem sabe quando sentir vontade de fazer um livro. Quem sabe quando sentir necessidade de falar, de expor, como já houve tantas e tantas vezes.
Não sou chorona. Mas não é isso que me faz menos emotiva. Há alguns posts atrás disse que 3 coisas me faziam chorar. E foi difícil lembrar. Quando estou com raiva eu choro… não sei discutir com uma pessoa sem chorar, isso é fato. Por mais certa que esteja certa, a irritação vem em mim em lágrimas. Decepção… lembro de vezes que me decepcionei com pessoas e isso me fez chorar. E o terceiro é um conjunto de fatores… o que me toca de uma maneira que me faz chorar. Depende de mim… depende do momento… depende da situação. Não me sinto mal por não chorar porque eu sei que SINTO as coisas. O chorar para mim é conseqüência… não quer dizer que sinta menos ou mais. Eu sinto e sei disso. E isso para mim já basta.
E, durante o retiro, pensei muito em tudo isso. De como eu me sinto com ELE e comigo mesmo. No Retiro São Francisco, entrei em contato com a minha infância, lá realizei o meu retiro antes da Eucaristia e da Crisma. E sentei em um banquinho que lembro ter sentado antes… e fechei os olhos e lembrei de tudo que me fez chegar até aqui. Até ao Escalada. Esses dois meses de grupo que parecem duas décadas pela intensidade que tenho vivido. Aprender a ser Pessoa em Clima de Oração.
Somos todos pessoas, mas estamos aqui por ELE. ELE que está em primeiro lugar e muda planos, “desorganiza” reuniões e dirige a nossa vida. E não esquecer disso, cada palavra, cada palestra, não é nossa… é o Divino Espírito Santo dirigindo o momento. Por isso a invocação. Por isso a necessidade de se falar com o coração.
O retiro foi lindo. Um aprendizado de vida e alma. Uma nova forma de oração, pensamento e ação.
Algumas pessoas que passarem por aqui vão acreditar no que escrevi. Outras não. Umas vão dar parabéns, outras vão pensar que é besteira. Mais posso dizer uma coisa… meu coração estava apertado e está mais tranqüilo e estar falando tudo isso me fez bem…